Sábado, 29 de Dezembro, 2018 às 09:42h

Doleiro Bruno Farina deixa o Paraguai rumo ao Brasil

Investigado pela Lava Jato, Farina saiu de Assunção na manhã deste sábado; processo de extradição, que poderia levar até 40 dias, foi agilizado pela polícia paraguaia.

O doleiro brasileiro Bruno Farina, investigado pela Lava Jato no Rio de Janeiro e preso pela Interpol no Paraguai, deixou Assunção em direção ao Brasil na manhã deste sábado (29), informou a polícia local.

Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, o avião usado para a transferência de Farina decolou às 7h, no horário local (8h pelo horário de Brasília). A previsão da polícia é de que o doleiro seja levado para São Paulo, mas antes, faça escala no aeroporto de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.

O processo de extradição, que poderia levar até 40 dias, foi agilizado pela polícia do Paraguai. Farina foi preso na noite de quarta-feira (26). Ele é investigado pela Lava Jato e sócio do “doleiro dos doleiros” Dario Messer.

A prisão preventiva para a extradição de Farina foi decretada pela Justiça do Paraguai em maio deste ano após pedido da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Ele era procurado por suspeita dos crimes de corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e por integrar uma organização criminosa que movimentou R$ 1,6 bilhão em 52 países.

Operação Câmbio, Desligo
Ao lado do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, Bruno Farina e Dario Messer estavam entre os 62 denunciados na Operação Câmbio, Desligo, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

O grupo é acusado de formar uma organização criminosa que promoveu a evasão de divisas e lavagem de dinheiro desde a década de 1990. Os doleiros são suspeitos de movimentarem R$ 1,6 bilhão em 52 países.

Sérgio Cabral está preso. Somadas, as penas aplicadas ao ex-governador chegam a 197 anos e 11 meses. Dario Messer segue foragido.

Em maio, a operação prendeu 30 pessoas em quatro estados e vasculhou imóveis de suspeitos, inclusive os imóveis de Messer e Farina no Paraguai. Na época, eles não foram encontrados, mas os policiais apreenderam computadores, documentos e cartões de crédito.

Denúncia
De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), com base na delação premiada dos doleiros Cláudio Barboza, o Tony, e Vinicius Claret, o Juca Bala, foi possível identificar a existência de uma sofisticada rede de doleiros, sediados em diversos estados e no exterior, que movimentaram quantias vultosas através de operações de dólar-cabo, por meio de programas criptografados.

Os colaboradores entregaram ao MPF o sistema “Bankdrop”, supostamente utilizado pela organização criminosa, em que estão relacionados mais de 3 mil offshores

Tony e Juca Bala revelaram que também utilizavam um sistema chamado ST, que funcionava como uma conta-corrente, onde eram lançadas as informações dos seus clientes.

De acordo com o MPF, Dario Messer, juntamente com os colaboradores Tony e Juca Bala, desenvolveu uma complexa rede de câmbio paralelo baseada inicialmente no Brasil e, posteriormente, no Uruguai.

Essa complexa rede de doleiros foi utilizada por Sérgio Cabral, através dos irmãos doleiros Renato e Marcelo Chebar, para enviar recursos ao exterior.